ALEXANDRE MURY: ARTISTA E PESQUISADOR INDEPENDENTE
Mury, A. (2025). Theory as Poor Image: Hito Steyerl's Text in Algorithmic Circulation.
Acesso e Citação Principal (Zenodo - DOI): https://doi.org/10.5281/zenodo.17458777
How does AI decide what we read? A famous essay reaches me via algorithm — not a library. Does theory itself degrade when it circulates too fast in machines?
Mury, A. (2025). Theorie als armes Bild: Hito Steyerls Text in der algorithmischen Zirkulation.
Versão Alemã (Zenodo - DOI): https://doi.org/10.5281/zenodo.17446307
Wie entscheidet KI, was wir lesen? Ein berühmter Essay erreicht mich per Algorithmus – nicht aus der Bibliothek. Wird Theorie selbst zur „armen Bild“, wenn sie zu schnell durch Maschinen zirkuliert?
Mury, A. (2025). Teoria como imagem pobre: o texto de Hito Steyerl na circulação algorítmica.
Como a IA escolhe o que lemos? Um texto famoso chega até mim por algoritmo — não por biblioteca. Será que a própria teoria se degrada ao circular rápido demais nas máquinas?
Volume 3 | Anos 90/00 a novíssimos
Autor: Luiz Camillo Osorio
Editora: Barléu Edições; 1ª edição (1 janeiro 2013)
Idioma: Português
Capa dura: 288 páginas
ISBN-10: 8589365409
ISBN-13: 978-8589365406
Dimensões: 26 x 2.5 x 27 cm
______COMPRAR VERSÃO IMPRESSA: Livraria da Travessa | Leitura | Amazon
Volume 2 | Illustrated Edizione - 2017
Autor: Giorgio Bonomi
Editora: Rubbettino;
Lingua: Italiano
páginas: 368
ISBN-10 8849850514
ISBN-13 978-8849850512
Peso: 1.54 kg
Tamanho: 26.1 x 2.4 x 23.2 cm
______Catálogo da 7ª Edição - 2016
Novas Aquisições 2010-2012
Catálogo da exposição realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,
ISBN: 978-85-98121-07-9
Assunto: Gilberto Chateaubriand / Coleção de arte / Arte moderna / Exposições.
______Novas Aquisições 2012-2013-2014
Catálogo da exposição realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,
ISBN: 978-85-98121-07-9
Assunto: Gilberto Chateaubriand / Coleção de arte / Arte moderna / Exposições.
______Title: Fricções históricas (Historical Frictions)
Author: Alexandre Mury
Curator: Vanda Klabin
Exhibition Dates: April 29 to July 12, 2015
Translation
M984 Mury, Alexandre
Historical Frictions / Alexandre Mury; Curatorship by Vanda Klabin.
2nd ed. updated and expanded - Rio de Janeiro: R&L Produtores Associados, 2015.
88p.: ill.; 22 cm
Catalog of the exhibition held at Centro Cultural Sesc Glória, Vitória, ES, from April 29 to July 12, 2015
Texts: Afonso Costa; Guilherme Gutman and Vanda Klabin
Production Director: Rodrigo Andrade
Project Management: Lucas Lins
Bilingual text Portuguese/English translated by: Marcio Soares Pinheiro
ISBN 978-85-67067-02-5
1 Art 2 Artistic photography 3 Photographic composition | Title
II Klabin, Vanda (curator) III Costa, Afonso IV Gutman, Guilherme V Andrade, Rodrigo (production director) VI Lins, Lucas (project manager) VII Pinheiro, Marcio Soares (translator)
CDU 77.04
CDD 770
1st edition - 2013
Printed in Brazil
Centro Cultural Sesc Glória, Vitória, ES – 2015
Title: Fricções históricas
Author: Alexandre Mury
Publication: Rio de Janeiro: Caixa Cultural, 2013
ISBN: 978-85-67067-00-1
Translation
M984
Mury, Alexandre
Historical Frictions / Alexandre Mury; Curation by Vanda Klabin.
Rio de Janeiro: Caixa Cultural, 2013.
80 pages: illustrated; 22 cm
Texts: Afonso Costa; Guilherme Gutman and Vanda Klabin
Production Director: Rodrigo Andrade
Project Management: Lucas Lins
Bilingual text Portuguese/English translated by: Marcio Soares Pinheiro
ISBN 978-85-67067-00-1
1 Art 2 Artistic photography 3 Photographic composition 4 Photographic catalog
I Title II Klabin, Vanda (curator) III Costa, Afonso IV Gutman, Guilherme V Andrade, Rodrigo (producer) VI Lins, Lucas (project manager) VII Pinheiro, Marcio Soares (translator)
CDU 77.04
CDD 770
Cataloging: Hildenise Ferreira Novo | CRB5 1027
Caixa Cultural Brasília, Rio de Janeiro, RJ – 2013
Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica – 2012
Caixa Cultural Brasília – 2016
CONDURU, Roberto
Pérolas negras, outras voltas: experiências artísticas e culturais nos fluxos entre África e Brasil
Belo Horizonte: Relicário, 2024
p. 235
______Roman, Juan Manuel
La Iglesia Mayor como fuente didáctica para la historia local de Baza
Nuevas tendencias en investigación e innovación en didáctica de la historia, patrimonio cultural y memoria. Proyección educativa
Editorial Universidad de Granada 2020, Campus de Cartuja
ISBN: 978-84-338-6766-7
MACÊDO, Larissa Cristina Sampaio
Poéticas do efêmero: novas temporalidades em rede a partir do Instagram Stories.
Dissertação (Mestrado em Comunicação e Semiótica)
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2019.
MIKLOS, Aline
Blasfêmia e arte contemporânea: uma questão de método.
PROA – revista de antropologia e arte
USP, vol. 01, nº 04, p. 69-84, 2013.
Aline Miklos é graduada em História pela Universidade de São Paulo. Mestre em teoria e prática da linguagem e das artes pela École des Hautes Études en Sciences Sociales e doutoranda em regime de cotutela entre a EHESS e a USP.
MACHADO, José Alberto Gomes.
Alexandre Mury – Citação, Criação, Transgressão.
Évora: Universidade de Évora, 2013.
José Alberto Gomes Machado – Professor Catedrático de História da Arte
______MIDLEJ, Dilson Rodrigues
Apropriação de imagens nas artes visuais no Brasil e na Bahia
Tese (Doutorado em Artes Visuais) - Universidade Federal da Bahia, Escola de Belas Artes, Salvador, 2017
p. 221-222
Pág. 122-124 - Dissertação de Mestrado em Ciências da Comunicação
Natália Favrin Keri
Escola de Comunicação e Artes - São Paulo – 2015
Universidade de São Paulo
Emerson Rodrigues de Brito
Universidade Estadual de Goiás (UEG)
Doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2018). Mestre em Linguística – Comunicação e Semiótica pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (2009). Professor do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo.
______STOCCO, Daniela
Le marché de l'art contemporain à Rio de Janeiro et Sao Paulo: analyse sociologique
Co-tutelle UFRJ-Paris VIII
Orientadores: Gláucia Villas Boas e Alain Quemin
Tese (Doutorado) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2016
p. 18
______ERKIZIA MARTIKORENA, Aintzane
Aprendizaje Basado en Proyectos en Humanidades: Una experiencia en la enseñanza universitaria
In: Nuevas tendencias en investigación e innovación en didáctica de la historia, patrimonio cultural y memoria
Universidad de Granada
Editorial Universidad de Granada 2020
Campus de Cartuja
ISBN: 978-84-338-6766-7
p. 284
______Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário Vol. 8 (1), janeiro–abril 2020, quadrimestral ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829 CIEBA—FBAUL Revista MATÉRIA-PRIMA, Práticas Artísticas no Ensino Básico e Secundário Volume 8, número 1, janeiro-abril 2020, ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829 Revista internacional com comissão científica e revisão por pares (sistema double blind review) Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa & Centro de Investigação e de Estudos em Belas-Artes
Práticas Artísticas no Ensino Fundamental e Médio Vol. 8 (1), janeiro–abril de 2020, quadrimestral ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829 CIEBA—FBAUL Revista MATÉRIA-PRIMA, Práticas Artísticas no Ensino Fundamental e Médio Volume 8, número 1, janeiro-abril de 2020, ISSN 2182-9756, e-ISSN 2182-9829 Revista internacional com comissão científica e revisão por pares (sistema de revisão cega dupla) Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa & Centro de Investigação e de Estudos em Belas Artes
🗧Conversa com o artita Alexandre Mury e a curadora Vanda Klabin, SESC Gloria, ES 2015 | Foto divulgação
Manual do professor
Material Educativo
Letramento Acadêmico
Flávia Ferreira da Silva Rocha
Professora Efetiva do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal de Sergipe e Coordenadora de Tutoria do CESAD/UFS.
Centro de Educação Superior a Distância (CESAD) - Universidade Federal de Sergipe (UFS)
______Memoria C²: comunicação e artes
(Série Conexão Ciência)
VELHO, Ana Paula Machado; SANT'ANA, Débora de Mello Gonçales; LUCENA, Tiago Franklin Rodrigues (Org.)
Maringá: Ed. dos Autores, 2023
p. 58
______Revista Fine Art 2012
Texto: Guilherme Gutman
Primeira edição da Bazaar Art Brasil - 2013
Photo Art Brazilian Magazine - 2017
Edição dedicada à Coleção Paula e Silvio Frota, pertencente ao Museu da Fotografia Fortaleza.>> Relação de artistas
Contém fotografias de Adriana Varejão, Adriane Vasquez, Alécio de Andrade, Alessandro Gruetzmacher, Alexandre Mury, Alexandre Sequeira, Alice Brill, Ameris Manzini Paolini, Ana Carolina Fernandes, André Carneiro, Andre Cypriano, André Liohn, Anna Maria Maiolino, Antonio Gaudério, Antonio Guerreiro, Arthur Omar, Bauer Sá, Beatriz Fiuza, Beatriz Franco, Beatriz Pontes, Betina Samaia, Bia Fiuza, Bina Fonyat, Bob Meneses, Bob Wolfenson, Boris Kossoy, Bruno Magalhães, Carlos Alberto e Filhos, Cassio Vasconcellos, Celso Oliveira, Chico Albuquerque, Christian Cravo, Cia de Foto, Claudia Andujar, Claudia Jaguaribe, Claudio Edinger, Cristiano Mascaro, Dalmo Teixeira Filho, Daniel Senise, Danielle Fonseca, Davi Pinheiro, Dimitri Lee, Ed Viggiani, Eduardo Enfeldt, Eduardo Massini, Eduardo Muylaert, Elza Lima, Emidio Luisi, Eustáquio Neves, Evandro Teixeira, Fausto Chermont, Fernanda Oliveira, Fernando Lemos, Flavio Samelo, Gabriel Chaim, Gabriel Wickbold, Gentil Barreira, George Radó, Geraldo Guimarães, German Lorca, Gertrudes Altschul, Haruo Ohara, Hélio Oiticica e Neville D'Almeida, Hildegard Rosenthal, Hirosuke Kitamura, Iatã Cannabrava, Ivan Cardoso, Jacob Polacow, Jean Manzon, João Bittar, João Castilho, João Paulo Barbosa, João Roberto Ripper, João Urban, José Albano, José Inácio Parente, José Medeiros, José Yalenti, Juca Martins, Julio Bittencourt, Kazuo Okubo, Kenji Ota, Klaus Mitteldorf, Lalo de Almeida, Leonid Streliaev, Leopoldo Plentz, Lucas Lenci, Lucílio Correia Leite Junior, Lúcio Carvalho, Luiz Braga, Luiz Carlos Barreto, Luiz Carlos Felizardo, Luiz Santos, Madalena Schwartz, Marc Ferrez, Marcel Gautherot, Marcelo Pallotta, Marcio Lima, Marcio Scavone, Mario Cravo Neto, Maureen Bisilliat, Mauricio Ianês, Mauricio Lima, Miguel Chikaoka, Miguel Rio Branco, Militão Augusto de Azevedo, Monica Vendramini, Nair Benedicto, Nelson Bezerra, Nelson Kon, Nely de Carvalho, Nick Elmoor, Olney Kruse, Orlando Azevedo, Orlando Brito, Osmar Peçanha, Otto Stupakoff, Pablo Di Giulio, Paulo Nazareth, Paulo Pires, Paulo Vainer, Pedro David, Pedro Vasquez, Pico Garcez, Pierre Verger, Regina Vater, Renan Cepeda, Roberto Wagner, Rodrigo Braga, Rodrigo Frota, Rogério Assis, Rogério Reis, Rômulo Fialdini, Rosângela Rennó, Sebastião Salgado, Sérgio Polignano, Sheila Oliveira, Siegbert Franklin, Solon Ribeiro, Stefania Bril, Thomaz Farkas, Tiago Lopes, Tiago Santana, Tuca Reines, Valdir Cruz, Vicente Mello, Victor Dragonetti, Vic Muniz, Vicenzo Pastore, Walter Firmo, Yuri Firmeza.
Arte Design Cultura Contemporânea e Tecnologia 2011
Arte Design Cultura Contemporânea e Tecnologia 2011
Arte Design Cultura Contemporânea e Tecnologia 2013
Banco comparativo de imagens | CHAA – Centro de História da Arte e Arqueologia > UNICAMP
______eRevista especializada | Estudos performativos | ISSN 2316-8102
______Site de referências bibliográficas | Base de dados de livros de fotografia
______Espacio Iberoamericano del Arte
______Base de dados online de informação sobre cinema TV, música e games
______Plataforma global de artes e cultura
______Informação, debate e notícias | Cultura baiana
______Portal de cotações de Artes e Antiguidades do Brasil
______
PROGRAMA DO JÔ
Alexandre Mury e a Arte do Autorretrato
Entrevista exibida originalmente na televisão brasileira · Transcrição revisada para fins acadêmicos
Alexandre Mury é publicitário de formação e artista plástico e fotógrafo por vocação. Sua obra é construída inteiramente sobre autorretratos: ele mesmo é o modelo, o cenógrafo, o figurinista, o maquiador e o iluminador de cada imagem. Nesta entrevista ao apresentador Jô Soares, Mury fala sobre a origem de seu trabalho, a repercussão inesperada na internet, a censura nas redes sociais e o processo artesanal — e muitas vezes improvisado — por trás de cada fotografia.
I. Trajetória — da publicidade à fotografia
Jô Soares Eu vi alguns dos seus trabalhos aqui e fiquei impressionado. Há fotografias com uma semelhança com as obras originais que chega a ser assustadora. Quando foi que você começou a fazer esse tipo de trabalho?
Alexandre Mury Eu fotografo desde os meus 16 anos. Com o tempo fui aprimorando, fui experimentando coisas cada vez mais diversas. Acredito que o meu trabalho amadureceu bastante a partir do momento em que passei a me dedicar exclusivamente a ele — quando larguei a publicidade e fui trabalhar só com fotografia.
Jô Soares Você não trabalha mais em agência nem em publicidade?
Alexandre Mury Não, já deixei há alguns anos. E há uma história bem curiosa por trás disso: eu fotografava e postava na internet — para mim era divertido, engraçado. Eu só fazia aquilo para divertir os meus amigos. O que me agradava eram os comentários deles. Mas, certo dia, alguém muito experiente — um marchand com muitos anos de galeria — viu o meu trabalho e quis conversar comigo. Disse que queria mostrar o que eu fazia para algumas pessoas.
Jô Soares E você topou?
Alexandre Mury De jeito nenhum. Respondi que não queria mostrar em galeria, não queria aquilo na parede da casa de ninguém — me parecia estranho a minha foto pendurada na casa de alguém. Levou cerca de sete anos ele acompanhando o meu trabalho pela internet, insistindo, e eu nunca aceitando. Sou muito tímido.
Jô Soares Pelas fotos não parece nada disso. Inclusive você é sempre o modelo das suas fotografias e ao mesmo tempo quem as executa, certo?
Alexandre Mury Exatamente. Faço a fotografia, o cenário, o figurino, a maquiagem, a iluminação — é tudo uma brincadeira. Quando dá certo, é uma satisfação enorme.
II. O Abaporu, o museu e a censura nas redes sociais
Jô Soares Você tem um trabalho exposto em museu, ao lado de obras de Di Cavalcanti e de um quadro da Tarsila do Amaral, não é?
Alexandre Mury Pois é — o meu Abaporu.
Jô Soares Vamos ver no telão.
Nota: A imagem do autorretrato de Mury em releitura do 'Abaporu' de Tarsila do Amaral é exibida na tela do programa.
Jô Soares Que maravilha! Mas essa foto foi censurada pelo Facebook, não foi?
Alexandre Mury Foi. Eles me mandaram uma mensagem dizendo que eu não poderia mais publicar aquela foto, sob pena de me tirarem da plataforma. Uma caretice sem tamanho.
Jô Soares E o David, de Michelangelo, também não podiam?
Alexandre Mury Também não podiam. Mas depois descobriram o bom senso — agora o David pode, mulheres amamentando podem. Só o meu trabalho continua proibido. Mas aconteceu uma coisa muito interessante: cerca de um ano após a proibição, coincidindo com uma grande exposição da Tarsila, a foto começou a circular entre pessoas fora do meu círculo de amizades. Em três dias já havia mais de cinco mil compartilhamentos e incontáveis curtidas.
Jô Soares E os comentários eram elogiosos?
Alexandre Mury A maioria, sim. Mas teve gente que ficou chocada — tanto com a nudez quanto com o fato de eu mexer com o quadro da Tarsila. Só que mexer com uma obra de arte é, na verdade, um elogio. E a irreverência é uma das características centrais de qualquer artista.
III. O processo — sucata, improvisos e família
Jô Soares Você é sempre o único modelo de todos os seus trabalhos?
Alexandre Mury Sempre. Quando comecei a fotografar com outras pessoas como modelo, nunca ficava satisfeito com a interpretação delas. Então decidi: vou fazer eu mesmo.
Jô Soares E os materiais? Pelo que vi, a produção usa recursos bem simples.
Alexandre Mury Tudo muito simples — sucata, mesmo. Na 'Escrava Anastásia', por exemplo, aquela máscara de ferro é uma escumadeira, e o cabelo é de Bombril. A pele está pintada com batom marrom. Você sabe por que os escravos usavam essa mordaça? Para não comer demais nas minas de diamantes, e também para não engolir as pedras.
Jô Soares Onde você encontra esses materiais?
Alexandre Mury Em mercados populares — o Saara, no Rio de Janeiro, lojas de R$ 1,99, coisas que encontro em casa. Vivo catando objetos para as minhas produções.
IV. Releituras — as obras em destaque
Jô Soares Vamos ver mais trabalhos. Este aqui é o Retrato de Apolinaire, de De Chirico?
Alexandre Mury Sim. Como sempre trabalho com a minha própria figura, lá atrás há uma sombra que é um recorte de papelão do meu perfil — da minha silhueta. E no fundo há duas formas: uma de peixe e outra de concha. Materiais que encontrei em mercados populares.
Jô Soares E o Coringa?
Alexandre Mury Não é releitura de nenhuma obra de arte específica, mas eu me apropriei da figura do coringa de baralho. Como ele tem a figura repetida e refletida, ficou ótimo.
Jô Soares Agora o Cristo Redentor — e barato! Conta a história.
Alexandre Mury Esse foi feito na minha cidade, no interior do estado do Rio — São Fidélis. Fui com a minha irmã a um morro perto de casa, levamos um banquinho e uma roupa branca. Quando comecei a montar a cena — coloquei o banquinho, vesti a túnica que esvoaçava com o vento, estava pintando o cabelo — o dono do sítio nos viu lá de baixo e começou a subir. Quando chegou perto, vinha com um porrete na mão. Minha irmã ficou apavorada. Mas ele estava muito mais assustado do que a gente — não sabia o que estava acontecendo, talvez imaginasse que fosse algum ritual. Quando minha irmã explicou que era o Cristo Redentor, ele reconheceu na hora e foi embora tranquilo.
Jô Soares Mas quem clicou a foto?
Alexandre Mury Eu mesmo. Coloco no tripé, faço toda a medição de luz, deixo tudo certo e peço para alguém apertar o botão disparador. Quem me ajuda é a minha irmã, meu sobrinho, minha mãe, algum amigo — quem estiver disponível para emprestar o dedo.
Jô Soares O Dom Quixote, com os moinhos de vento virando Willys...
Alexandre Mury Pois é.
Jô Soares E há um com pontilhismo — é uma releitura de Seurat?
Alexandre Mury Esse é o estudo para Seurat, o pintor pontilhista. Desde criança eu imaginava que pontilhismo era confete — e chegou o momento de realizar essa ideia. Comprei confete, chamei minha mãe, minha irmã e meu sobrinho para jogarem em cima de mim enquanto alguém fotografava. Uma festa.
Jô Soares O Francis Bacon feito de bacon!
Alexandre Mury Esse trabalho está exposto no MAM também, nas novas aquisições da coleção Gilberto Chateaubriand.
Jô Soares E a Guernica, de Picasso?
Alexandre Mury A minha Guernica é um pouco diferente da original: está na vertical, é colorida. Mas tem todos os elementos. O meu trabalho faz um comentário visual da obra anterior — como na história do cubismo, coloquei caixas ao fundo sugerindo isso. Mas o discurso muda: as coisas não significam mais o que significavam na obra original. Eu altero o sentido.
Jô Soares O Hamlet?
Alexandre Mury Não é releitura de nenhuma pintura. É simplesmente uma pose — com aquele colarinho elizabetano feito de rolinhos de papel higiênico. E tem um ratinho morto pensando ali: 'Ser ou não ser.'
Jô Soares A Duquesa Feia, de Quentin Massys — os seios dela são pães?
Alexandre Mury São brioches. Ela é oferecida, quer dar o que comer — e tem o que oferecer. Tem autoconfiança. Isso muda o discurso do original: o que em Massys era grotesco, em mim ganha outra dimensão.
Jô Soares O Ícaro do caderno Jazz, de Matisse?
Alexandre Mury Bastante improvisado: uma lona de plástico atrás e aquelas estrelinhas que são velas de aniversário — as que pulam faíscas quando acesas. Imagina a cena: minha mãe, meu sobrinho e minha irmã, cada um com um isqueiro na mão, esperando o meu sinal. Eu falo 'já!' e eles acendem ao mesmo tempo, cronometrado. Então eu faço a pose. Pronto.
Jô Soares O Lúcifer, de Franz von Stuck?
Alexandre Mury Esse trabalho me deu medo de fazer — mas eu queria muito, porque tem uma iluminação muito interessante. Rezei antes de fazer a foto.
Jô Soares Rezou antes de fazer?
Alexandre Mury Rezei.
Jô Soares E essa última — a Medusa com macarrão?
Alexandre Mury Isso. O macarrão faz as serpentes do cabelo da Medusa. É um macarrão enorme que encontrei — não sei nem o nome —, mas funcionou perfeitamente. A bandeja faz o escudo de Perseu, como se fosse o espelho. E o rosto brilhando? Óleo de cozinha. Passei óleo de cozinha na pele.
Jô Soares Alguém comeu o macarrão depois?
Alexandre Mury Não, não.
V. Flores, Netuno e o tamanho das obras
Jô Soares O Diego Rivera — as flores são lírios gigantes. Onde você encontrou?
Alexandre Mury Não encontrei em lugar nenhum — não existem desse tamanho no Brasil. Eu mesmo os fiz: usando borracha EVA e uma chapinha de cabelo para dar forma às pétalas.
Jô Soares E o Netuno — esse o Facebook não censurou?
Alexandre Mury Acho que não está tão exposto quanto o Abaporu.
Jô Soares Qual o tamanho dessas obras? O Abaporu, por exemplo?
Alexandre Mury O Abaporu tem 60 por 60 centímetros. A média dos trabalhos não passa de um metro — é uma impressão fotográfica.
Ficha técnica
Entrevistador: Jô Soares
Entrevistado: Alexandre Mury — publicitário, artista plástico e fotógrafo
Gênero: Variedades, Talk Show
Classificação etária: 1212
Fonte original: Programa do Jô (TV Globo). Disponível em: globoplay.globo.com/v/1923942/
Transcrição: Gerada automaticamente por sistema de reconhecimento de fala e revisada manualmente para fins de pesquisa acadêmica
Obras citadas na entrevista: Abaporu · Retrato de Apolinaire · Guernica · Ícarus-Jazz · A Duquesa Feia · Lúcifer · Estudo para Seurat · Cristo Redentor · Don Quixote · Hamlet · Mulheres com Alcatracez · Netuno · Francis Bacon · Medusa
Lançamento do volume III da Coleção Gilberto Chateaubriand
O livro reúne 150 artistas brasileiros que surgiram entre a última década do século XX e as primeiras do Século XXI.
Publicações
2016 – Catálogo “Prêmio Pipa 2016” - A janela para a arte contemporânea brasileira. Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2015 – Catálogo “O Catador na Floresta de Signos” (mostra individual). Galeria Roberto Alban, Salvador, BA, Brasil
2015 – Catálogo “Fricções Históricas” (mostra individual). SESC Glória, Vitória, ES, Brasil
2014 – Coleção Gilberto Chateaubriand – Vol. 3 - Anos 90/00 a novíssimos - Osório, Luiz Camillo. Rio de Janeiro, Barléu Edições LTDA.
2013 – Catálogo “Fricções Históricas” (mostra individual). Caixa Cultural, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2013 – Catálogo Novas Aquisições da Coleção Gilberto Chateaubriand 2010-2012 (mostra coletiva). Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2013 – Catálogo “Aproximações Contemporâneas” (mostra coletiva). Roberto Alban Galeria de Arte, Salvador, BA, Brasil
2012 – Catálogo "Espelho Refletido - O Surrealismo e a Arte Contemporânea Brasileira"(mostra coletiva). Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2012 – Catálogo "Retratos Performáticos" (mostra coletiva). SESC Vila Mariana - São Paulo, SP, Brasil
2011 – Catálogo “Auto-retratos” (mostra individual). Galeria Laura Marsiaj, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
2010 – Catálogo Novas Aquisições da Coleção Gilberto Chateaubriand 2007-2010 (mostra coletiva). Rio de Janeiro, RJ, Brasil