Curadoria:
Clarissa Diniz e Ismael Monticelli
Coletiva
CCBB Brasília (Centro Cultural Banco do Brasil - Brasília)
2026
02 dedezembro de 2025 à 01 de março de 2026
A mostra segue em itinerância por Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
Artistas Participantes
Artistas e Criadores Participantes
Núcleo Ao pé da letra
Amanda Magalhães (@amandzmagalhaes)
Daniel Santiago
Frimes (@frimes)
Greengo Dictionary (@greengodictionary)
Guto TV (@gutotvreal)
Leandra Espírito Santo
Melted Vídeos (@meltedvideos)
Nelson Leirner
Pamella Anderson
Panos Subversivos (@panossubversivos)
Rafael Portugal (@rafaelportugal)
Raquel Real (@raquelrealoficial)
Roxinha
Ruth Lemos
Núcleo A hora dos amadores
Alessandra Araújo (@alessandraraujooficial)
Vadisnei (Lourival Cuquinha e Daniela Brilhante)
Malfeitona (@malfeitona)
O Brasil que deu certo (@obrasilquedeucerto)
Felipe Neto (@felipeneto)
Raphael Vicente (@raphaelvicente)
Núcleo Da versão à inversão
A vida de Tina (@avidadetina)
Denilson Baniwa
Alexandre Mury
John Drops (@johndrops)
Hand-painted Brazil (@handpaintedbrazil)
Festa da Firma (@festadafirma)
Juvi Chagas (@ajuvichagas)
Lara Santana (@larasantana)
Malhassaum (@malhassaum)
Porta dos Fundos (@portadosfundos)
Renata Felinto
Rafaela Azevedo (Fran – @fran.wt1)
Victor Arruda
Núcleo O eu proliferado
Blogueirinha (@blogueirinha)
Coach de Fracassos (@coachdefracassos)
Frases Pra Você (@frasespravoce)
Galinhas Inseguras (@galinhasinseguras)
Gretta Sarfaty
Jacira Doce (@jaciradoce)
Fábio Cruz (Fabão – @eusoufabao)
Lenora de Barros
Nathalia Cruz (@nathaliapontocruz)
Panmela Castro
Pedro Vinicio (@pedrovinicio80)
Regina Vater
Telma Saraiva
Monica Piloni
Valentina Bandeira (@valentinabandeira)
Valeska Soares
Núcleo Combater ficção com ficção
Augusto de Campos
Claudio Tozzi
Dolangue News (@dolangue.news)
Dora Longo Bahia
História no Paint (@historianopaint)
Juju dos Teclados (@jujudosteclados)
Marcelo Tas (@marcelotas)
Paulo Gustavo
O Pasquim
Porta dos Fundos (@portadosfundos)
Regina Silveira
Saquinho de Lixo (@saquinhodelixo)
Sensacionalista (@jornaldosensacionalista)
Núcleo Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?
Museu de Memes (UFF, coord. Viktor Chagas)
Criadores brasileiros entrevistados (10 nomes, mas não foram listados individualmente na matéria).
> Nomes consagrados de arte contemporânea destacados na exposição (fora da divisão por núcleos)
Anna Maria Maiolino
Gretta Sarfaty (também aparece no núcleo O eu proliferado)
Nelson Leirner (também aparece no núcleo Ao pé da letra)
Claudio Tozzi (também aparece no núcleo Combater ficção com ficção)
Ou seja, a exposição cria um híbrido entre artistas históricos do circuito da arte contemporânea e criadores da cultura digital e do humor popular, reforçando o diálogo entre “alta cultura” e “linguagens meméticas”
Título: MEME: no Br@sil da memeficação
Tipo: Livro-catálogo de exposição
Ano: 2026
Curadoria da exposição:
Clarissa Diniz
Ismael Monticelli
Textos curatoriais e ensaio inédito:
Clarissa Diniz
Ismael Monticelli
Ensaio convidado:
Viktor Chagas
Instituição:
Centro Cultural Banco do Brasil — CCBB Brasília
Projeto gráfico:
Estúdio Permitido
Impressão:
Ípsis Gráfica
Características editoriais:
— 240 páginas
— Capa dura
— Edição bilíngue (português / inglês)
Conteúdo:
Reprodução integral das obras e imagens da exposição;
Textos curatoriais;
Legendas comentadas;
Ensaios críticos inéditos.
Lançamento:
28 de fevereiro de 2026
Cinema do CCBB Brasília
Distribuição:
Edição com distribuição gratuita limitada (50 exemplares no lançamento)
ISBN 978-85-69702-02-3
https://static.ccbb.com.br/site-2025/2026/04/meme_catalogo_digital.pdf
Release:
02/12/25 a 01/03/26
CCBB Brasília
Galerias 3, 5 e Pavilhão de Vidro
Classificação Livre
9h às 21h (entrada na galeria até às 20h40)
(61) 3108-7600 ccbbdf@bb.com.br
Entrada gratuita
No dia 1º de dezembro, o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília recebeu artistas, curadores, agentes culturais, influenciadores e jornalistas para a abertura da exposição MEME: no Br@asil da memeficação. Com mais de 800 obras de 200 artistas e produtores de conteúdo digital, a mostra investiga os memes como linguagem, crítica, expressão de afetos coletivos e forma de produção estética contemporânea.
Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli e colaboração do perfil @newmemeseum, a exposição reúne manifestações que surgem nas ruas e nas redes sociais, acompanhando seus processos de reinvenção no ambiente digital e revelando, de forma inventiva, as maneiras pelas quais o Brasil se expressa e se transforma coletivamente.
Em cartaz até 1º de março de 2026, a mostra ocupa as galerias 3 e 5 e o Pavilhão de Vidro do CCBB Brasília. A visitação ocorre de terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até 20h40), com acesso gratuito mediante retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site do CCBB. A classificação indicativa é livre.
Organizada em cinco núcleos temáticos e com prólogo e epílogo imersivos, a exposição apresenta uma cenografia envolvente e uma diversidade de linguagens, incluindo vídeos, esculturas, instalações, objetos, neons e experiências interativas.
Como dizem os curadores:
“Memes não são só piadas. Eles são formas de discutir política, cultura e relações sociais em tempo real.” – Clarissa Diniz
“Enquanto fazemos memes, os memes refazem o Brasil.” – Ismael Monticelli
O CEO da BB Asset, Gustavo Pacheco, reforça: “Apoiar uma exposição que investiga os memes é reconhecer a força das novas formas de comunicação e expressão cultural no Brasil.”
Organizada em cinco núcleos temáticos — Ao pé da letra, A hora dos amadores, Da versão à inversão, O eu proliferado e Combater ficção com ficção —, a mostra tem como prólogo o espaço tátil Alisa meu pelo e como epílogo Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?. A exposição conta com cenografia imersiva e uma grande variedade de linguagens: vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações sonoras e experiências interativas.
A exposição não tem a ambição de ser um inventário do humor nacional, mas de investigar os memes como uma linguagem viva, que transborda a internet e afeta diretamente nossas formas de pensar, sentir e agir, afirma Ismael Monticelli. Eles são dispositivos de memória, de disputa e de pertencimento, que operam em altíssima velocidade e atravessam todas as camadas da vida social.
Queremos provocar o público a pensar: será que essa vocação memética do Brasil começou mesmo com os memes digitais? Ou será que ela já se anunciava no carnaval, nos bordões da TV, nas pichações e nos outdoors? O que acontece quando política, publicidade e arte se dobram aos formatos da zoeira?, questiona Clarissa Diniz.
Além da experiência presencial no CCBB, a mostra se estende ao ambiente digital, com ativações especiais para as redes sociais. Em parceria com o perfil @newmemeseum, curadorias de conteúdos exclusivos serão compartilhados online, ampliando o alcance da exposição e promovendo engajamento, acesso e debate com públicos diversos — muito além das paredes do museu.
Entre imagens virais, dancinhas do TikTok, documentos, ficções, campanhas, slogans, protestos e paródias, o que emerge é um campo fértil de criação coletiva, no qual arte, cultura digital e crítica social se entrelaçam. Afinal, como já ensinou um dos grandes clássicos da internet brasileira: o melhor do Brasil são os brasileiros.
Prólogo – Alisa meu pelo
O meme Alisa meu pelo, surgido em 2017 a partir da onça-pintada da nota de R$ 50 com a legenda “Alisa meu pelo (onça carente)”, viralizou ao ressignificar a onça não como ícone de virilidade, mas como símbolo afetivo, carente e próximo. Ao se difundir, o meme passou a comentar o próprio Brasil de forma leve e zombeteira, ativando uma produção simbólica popular e participativa. Na exposição, onças em diferentes materiais convidam o público ao toque e à interação, ampliando esse gesto coletivo de humor e reflexão. Participaram da criação das onças os artistas José Francisco Afrânio, Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann.
1. Ao pé da letra
O primeiro núcleo da exposição foca nos jogos semânticos e nos descompassos entre texto e imagem que tornam os memes tão eficazes em gerar riso, crítica e estranhamento. Em vez de se explicarem mutuamente, palavras e imagens se combinam para criar sentidos inesperados — ou se colam literalmente, desnaturalizando expressões e convenções sociais. O núcleo aborda práticas como o uso de emojis, narrações e dublagens cômicas, línguas digitais como o tiopês e o pajubá, e estruturas como o snowclone, revelando como essas invenções linguísticas produzem deslocamentos de sentido e potência crítica.
Alguns criadores presentes neste núcleo incluem Amanda Magalhães (@amandzmagalhaes), Daniel Santiago, Frimes (@frimes), Greengo Dictionary (@greengodictionary), Guto TV (@gutotvreal), Leandra Espírito Santo, Melted Vídeos (@meltedvideos), Nelson Leirner, Pamella Anderson, Panos Subversivos (@panossubversivos), Rafael Portugal (@rafaelportugal), Raquel Real (@raquelrealoficial), Roxinha e Ruth Lemos.
2. A hora dos amadores
Inspirado pela capa da Time de 2006, que elegeu “você” como personalidade do ano, este núcleo aborda a virada provocada pela internet e pelas redes sociais, que deram visibilidade inédita às “pessoas comuns”. Os memes surgem como tecnologia social de protagonismo, permitindo que vozes antes apagadas ocupem o centro da cena cultural. No Brasil, marcado por fortes desigualdades, os memes se tornaram um território fértil para narrativas insurgentes, do humor que revela a precariedade cotidiana à crítica social feita com poucos recursos e muita sagacidade. Este núcleo celebra a potência do amadorismo como desvio criativo e força política.
Alguns criadores presentes incluem Alessandra Araújo (@alessandraraujooficial), Valdisnei (Lourival Cuquinha e Daniela Brilhante), Malfeitona (@malfeitona), O Brasil que deu certo (@obrasilquedeucerto) e Raphael Vicente (@raphaelvicente).
3. Da versão à inversão
Se a imitação é uma das bases da linguagem memética, aqui ela é entendida como gesto crítico e criativo. O núcleo mostra como memes transformam cópias em versões que subvertem o original, produzindo humor, paródia e comentário social. As alterações vão desde pequenas mudanças, como trocar uma palavra ou recortar uma imagem, até inversões radicais: mulheres imitando homens, humanos dublando animais e estéticas que embaralham fronteiras entre identidade e representação. Como no carnaval, o riso surge da inversão, trazendo também crítica.
Alguns criadores presentes incluem A vida de Tina (@avidadetina), Alexandre Mury, Festa da Firma (@festadafirma), John Drops (@johndrops), Juvi Chagas (@ajuvichagas), Lara Santana (@larasantana), Malhassaum (@malhassaum), Porta dos Fundos (@portadosfundos), Renata Felinto e Victor Arruda.
4. O eu proliferado
Este núcleo explora a explosão do “eu” nas redes sociais e como a vida privada se tornou espetáculo. A internet deixou de ser apenas espaço de compartilhamento para se tornar palco de autoperformance. Selfies, dancinhas, relatos, confissões e personagens revelam o desejo de existir publicamente, ao mesmo tempo em que expõem os efeitos da hiperexposição. O núcleo aborda o “eu” como potência e armadilha: possibilita a afirmação de identidades historicamente apagadas, mas evidencia o impacto subjetivo da lógica neoliberal, que transforma autoestima em mercadoria e precariza o bem-estar mental.
Criadores presentes incluem Blogueirinha (@blogueirinha), Coach de Fracassos (@coachdefracassos), Frases Pra Você (@frasespravoce), Galinhas Inseguras (@galinhasinseguras), Gretta Sarfaty, Jacira Doce (@jaciradoce), Lenora de Barros, Nathalia Cruz (@nathaliapontocruz), Panmela Castro, Pedro Vinicio (@pedrovinicio80), Regina Vater, Telma Saraiva, Valentina Bandeira (@valentinabandeira) e Valeska Soares.
5. Combater ficção com ficção
A polarização política e a radicalização do discurso público são temas centrais deste núcleo, que examina o papel dos memes na disputa simbólica do presente. Memes podem ser ferramentas de enfrentamento, síntese e resistência, mas também veículos de desinformação, exclusão e violência simbólica. A curadoria propõe uma reflexão sobre os usos éticos do riso, entendendo o humor como diplomacia sofisticada, mas também como instrumento perigoso nas mãos do autoritarismo. Entre memecracia e memecrítica, o núcleo questiona: como rir sem reforçar estigmas?
Criadores presentes incluem Augusto de Campos, Claudio Tozzi, Dolangue News (@dolangue.news), História no Paint (@historianopaint), Juju dos Teclados (@jujudosteclados), Marcelo Tas (@marcelotas), Pasquim, Paulo Gustavo, Porta dos Fundos (@portadosfundos), Regina Silveira, Saquinho de Lixo (@saquinhodelixo) e Sensacionalista (@sensacionalista).
Epílogo – Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?
Encerrando o percurso, o epílogo abraça a impossibilidade de definir os memes de forma definitiva. Em vez de respostas fixas, a curadoria propõe uma provocação coletiva: como cada pessoa compreende o que é um meme e o que ele significa hoje? O epílogo contou com a colaboração da equipe do #MUSEUdeMEMES, da Universidade Federal Fluminense, coordenada por Viktor Chagas, maior estudioso de memes no Brasil, e apresenta 10 entrevistas com criadores brasileiros, como Gregório Duvivier e Malfeitona, que respondem, em vídeo, essa indagação existencial com liberdade e afeto. Aqui, o meme é entendido como forma fluida, mutante e bastarda, que circula entre mídias e revela, no improviso, a imaginação crítica do nosso tempo.
Abertura: 02/12/2025 a 01/03/2026
Horário: Terça a domingo, das 9h às 21h (entrada até 20h40)
Local: Galerias 3, 5 e Pavilhão de Vidro
Classificação: Livre
Ingressos: Gratuitos em bb.com.br/cultura ou na bilheteria do CCBB
Revista Dasartes (ISSN 1983-9235 e ISBN 9771983923006) é uma publicação da Indexa Editora Ltda ME. (Clipping de notícia)
No dia 2 de dezembro, o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília abre ao público a primeira mostra dedicada ao fenômeno sociopolítico e cultural: MEME: no Br@sil da memeficação. Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli e colaboração do perfil @newmemeseum, a exposição convida o público a explorar a memeficação como um dos modos mais potentes — e irônicos — de narrar o Brasil contemporâneo.
Depois de estrear em São Paulo, a mostra chega a Brasília reunindo cultura digital, arte contemporânea e crítica social em uma experiência inédita no país. A exposição apresenta cerca de 800 itens produzidos por 200 criadores do universo digital e artistas. Em exibição até 1º de março de 2026, a mostra ocupa as galerias 3 e 5 e o Pavilhão de Vidro do CCBB Brasília. A visitação acontece de terça a domingo, das 9h às 21h, com entrada nas galerias até as 20h40. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site do CCBB, e a classificação indicativa é livre.
A proposta curatorial rompe fronteiras entre o que é visto como “alta” ou “baixa” cultura, reunindo nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, ao lado de criadores de conteúdo, como Blogueirinha, Porta dos Fundos, Alessandra Araújo, Melted Vídeos, John Drops e Greengo Dictionary.
Organizada em cinco núcleos temáticos — Ao pé da letra, A hora dos amadores, Da versão à inversão, O eu proliferado, Combater ficção com ficção — e tendo como prólogo um espaço tátil intitulado Alisa meu pelo e epílogo Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam? —, a mostra conta com cenografia imersiva e uma ampla diversidade de linguagens: vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações sonoras e experiências interativas.
“A exposição não tem a ambição de ser um inventário do humor nacional, mas de investigar os memes como uma linguagem viva, que transborda a internet e afeta diretamente nossas formas de pensar, sentir e agir”, afirma Ismael Monticelli. “Eles são dispositivos de memória, de disputa e de pertencimento, que operam em altíssima velocidade e atravessam todas as camadas da vida social.”
“Queremos provocar o público a pensar: será que essa vocação memética do Brasil começou mesmo com os memes digitais?”, questiona Clarissa Diniz. “Ou será que ela já se anunciava no carnaval, nos bordões da TV, nas pichações e nos outdoors? O que acontece quando política, publicidade e arte se dobram aos formatos da zoeira?”
Além da ocupação física no CCBB, o projeto se estende ao ambiente digital com uma série de ativações especialmente desenvolvidas para as redes sociais. Em parceria com o perfil de memes @newmemeseum, curadorias de conteúdos exclusivos serão compartilhados on-line, ampliando o alcance da exposição e promovendo engajamento, acesso e debate com públicos diversos — muito além das paredes do museu.
Clipping de Mídia: https://aquitemdiversao.com.br/meme/
MEME: no Br@sil da memeficação investiga os memes como forma de linguagem, crítica, afeto coletivo e produção estética. A mostra, que estreou em São Paulo e chega a Brasília em dezembro, explora expressões que surgem tanto nas ruas quanto nas redes sociais e que se reinventam no ambiente digital, revelando, de forma criativa, como o Brasil se narra e se transforma coletivamente.
Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, e colaboração do @newmemeseum, a mostra investiga os memes como ferramentas políticas, culturais e afetivas. Ocupando as galerias 3 e 5 e o Pavilhão de Vidro do CCBB Brasília, parte do humor para refletir sobre como o país se refaz por meio de suas imagens mais debochadas. Foto: Edson Kumasaka.
No dia 2 de dezembro, o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília abre ao público a primeira mostra dedicada ao fenômeno sociopolítico e cultural: MEME: no Br@sil da memeficação. Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli e colaboração do perfil @newmemeseum, a exposição convida o público a explorar a memeficação como um dos modos mais potentes — e irônicos — de narrar o Brasil contemporâneo.
Depois de estrear em São Paulo, a mostra chega a Brasília reunindo cultura digital, arte contemporânea e crítica social em uma experiência inédita no país. A exposição apresenta cerca de 800 itens produzidos por 200 criadores do universo digital e artistas. Em exibição até 1º de março de 2026, a mostra ocupa as galerias 3 e 5 e o Pavilhão de Vidro do CCBB Brasília. A visitação acontece de terça a domingo, das 9h às 21h, com entrada nas galerias até as 20h40. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site do CCBB, e a classificação indicativa é livre.
“Memes não são só piadas. Eles são ferramentas políticas, culturais e afetivas. São a forma como o Brasil elabora, disputa e contorna suas diferenças — sociais, raciais, de gênero e estéticas — em tempo real”, afirma Clarissa Diniz. “A exposição parte do humor para provocar: como estamos refazendo o país através de suas imagens mais debochadas?”.
“É impossível compreender o Brasil de hoje sem entender seus memes”, diz Ismael Monticelli. “Eles não apenas refletem a realidade, mas atuam sobre ela: produzem memória, disputam narrativa, geram pertencimento. Enquanto fazemos memes, os memes refazem o Brasil.”
A proposta curatorial rompe fronteiras entre o que é visto como “alta” ou “baixa” cultura, reunindo nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, ao lado de criadores de conteúdo, como Blogueirinha, Porta dos Fundos, Alessandra Araújo, Melted Vídeos, John Drops e Greengo Dictionary.
Reforçando o compromisso da BB Asset de ir além da gestão de ativos e apoiar iniciativas que conectam cultura, inovação e diversidade, Gustavo Pacheco, CEO da BB Asset destaca: “Acreditamos que compreender o presente é essencial para construir o futuro. Apoiar uma exposição que investiga os memes como linguagem e expressão cultural é reconhecer a força das novas formas de comunicação na sociedade brasileira. Essa mostra revela como criatividade e crítica se encontram no ambiente digital, influenciando comportamentos e narrativas.”
Organizada em cinco núcleos temáticos — Ao pé da letra, A hora dos amadores, Da versão à inversão, O eu proliferado, Combater ficção com ficção — e tendo como prólogo um espaço tátil intitulado Alisa meu pelo e epílogo Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam? —, a mostra conta com cenografia imersiva e uma ampla diversidade de linguagens: vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações sonoras e experiências interativas.
“A exposição não tem a ambição de ser um inventário do humor nacional, mas de investigar os memes como uma linguagem viva, que transborda a internet e afeta diretamente nossas formas de pensar, sentir e agir”, afirma Ismael Monticelli. “Eles são dispositivos de memória, de disputa e de pertencimento, que operam em altíssima velocidade e atravessam todas as camadas da vida social.”
“Queremos provocar o público a pensar: será que essa vocação memética do Brasil começou mesmo com os memes digitais?”, questiona Clarissa Diniz. “Ou será que ela já se anunciava no carnaval, nos bordões da TV, nas pichações e nos outdoors? O que acontece quando política, publicidade e arte se dobram aos formatos da zoeira?”
Além da ocupação física no CCBB, o projeto se estende ao ambiente digital com uma série de ativações especialmente desenvolvidas para as redes sociais. Em parceria com o perfil de memes @newmemeseum, curadorias de conteúdos exclusivos serão compartilhados on-line, ampliando o alcance da exposição e promovendo engajamento, acesso e debate com públicos diversos — muito além das paredes do museu.
Vista do núcleo O eu proliferado, que investiga a ascensão do “eu” como espetáculo nas redes, onde a vida privada se converte em performance contínua. Ao mesmo tempo em que essa visibilidade pode afirmar identidades e narrativas antes marginalizadas, ela expõe os efeitos da hiperexposição e da lógica neoliberal, que transforma autoestima em mercadoria e fragiliza o bem-estar emocional. Foto de Edson Kumasaka.
Prólogo – Alisa meu pelo
O meme Alisa meu pelo, surgido em 2017 a partir da onça-pintada da nota de R$ 50 acompanhada da legenda “Alisa meu pelo (onça carente)”, viralizou ao ressignificar a onça não como ícone de virilidade, mas como símbolo afetivo, carente e próximo. Ao se difundir, o meme passou a comentar o próprio Brasil de forma leve e zombeteira, ativando uma produção simbólica popular e participativa. Na exposição, onças em diferentes materiais convidam o público ao toque e à interação, ampliando esse gesto coletivo de humor e reflexão. Participaram da criação das onças os artistas José Francisco Afrânio, Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann.
1. Ao pé da letra
No primeiro núcleo da exposição, o foco recai sobre os jogos semânticos e os descompassos entre texto e imagem que tornam os memes tão eficazes em gerar riso, crítica e estranhamento. Em vez de explicarem um ao outro, palavras e figuras se combinam para formar sentidos inesperados — ou se colam literalmente, desnaturalizando expressões e convenções sociais. Aborda práticas como o uso de emojis, narrações e dublagens cômicas, além de línguas digitais, como o tiopês e o pajubá, e estruturas como o snowclone, revelando como essas invenções linguísticas produzem deslocamentos de sentido e potência crítica.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Amanda Magalhães (@amandzmagalhaes), Daniel Santiago, Frimes (@frimes), Greengo Dictionary (@greengodictionary), Guto TV (@gutotvreal), Leandra Espírito Santo, Melted Vídeos (@meltedvideos), Nelson Leirner, Pamella Anderson, Panos Subversivos (@panossubversivos), Rafael Portugal (@rafaelportugal), Raquel Real (@raquelrealoficial), Roxinha e Ruth Lemos.
2. A hora dos amadores
Inspirado pela célebre capa da revista Time de 2006 — que elegeu “você” como a personalidade do ano —, este núcleo aborda a virada provocada pela internet e pelas redes sociais, que deram visibilidade inédita às “pessoas comuns”. Os memes, nesse contexto, aparecem como uma tecnologia social de protagonismo, permitindo que vozes antes apagadas ou silenciadas ocupem o centro da cena cultural. Em países como o Brasil, marcados por fortes desigualdades, os memes se tornaram um território fértil para narrativas insurgentes: do humor que revela a precariedade cotidiana à crítica social feita com poucos recursos e muita sagacidade. Este núcleo celebra essa potência do amadorismo como desvio criativo e força política.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Alessandra Araújo (@alessandraraujooficial), Valdisnei (Lourival Cuquinha e Daniela Brilhante), Malfeitona (@malfeitona), O Brasil que deu certo (@obrasilquedeucerto) e Raphael Vicente (@raphaelvicente).
3. Da versão à inversão
Se a imitação é uma das bases da linguagem memética, aqui ela é entendida como gesto crítico e criativo. Este núcleo mostra como memes transformam cópias em versões que subvertem e desmontam o original, produzindo humor, paródia e comentário social.
A exposição apresenta desde pequenas alterações — como trocar uma palavra ou fazer um recorte específico de imagem — até inversões radicais: mulheres imitando homens, humanos dublando animais e estéticas que embaralham as fronteiras entre identidade e representação. Como no carnaval, o riso vem da inversão — e, nela, uma crítica se insinua.
Alguns criadores presentes no núcleo são: A vida de Tina (@avidadetina), Alexandre Mury, Festa da Firma (@festadafirma), John Drops (@johndrops), Juvi Chagas (@ajuvichagas), Lara Santana (@larasantana), Malhassaum (@malhassaum), Porta dos Fundos (@portadosfundos), Renata Felinto e Victor Arruda.
4. O eu proliferado
Neste núcleo, a curadoria volta-se à explosão do “eu” nas redes sociais e à forma como a vida privada se tornou espetáculo. A internet deixou de ser apenas um espaço de compartilhamento para se tornar um palco de autoperformance. A construção de si — por meio de selfies, dancinhas, relatos, confissões e personagens — tornou-se prática cotidiana, revelando tanto o desejo de existir publicamente quanto os efeitos dessa hiperexposição.
O núcleo aborda a dramaturgia do “eu” como potência e armadilha. Se, por um lado, possibilita a afirmação de identidades historicamente apagadas, por outro, evidencia o impacto subjetivo da lógica neoliberal que transforma autoestima em mercadoria e precariza o bem-estar mental.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Blogueirinha (@blogueirinha), Coach de Fracassos (@coachdefracassos), Frases Pra Você (@frasespravoce), Galinhas Inseguras (@galinhasinseguras), Gretta Sarfaty, Jacira Doce (@jaciradoce), Lenora de Barros, Nathalia Cruz (@nathaliapontocruz), Panmela Castro, Pedro Vinicio (@pedrovinicio80), Regina Vater, Telma Saraiva, Valentina Bandeira (@valentinabandeira) e Valeska Soares.
5. Combater ficção com ficção
A polarização política e a radicalização do discurso público são temas centrais deste núcleo, que examina o papel dos memes na disputa simbólica do presente. Ao mesmo tempo em que são ferramentas de enfrentamento, síntese e resistência, os memes podem também ser veículos de desinformação, exclusão e violência simbólica. A curadoria propõe aqui uma reflexão sobre os usos éticos do riso, compreendendo o humor como forma sofisticada de diplomacia, mas também como instrumento perigoso nas mãos do autoritarismo. Entre memecracia e memecrítica, este núcleo convida a pensar: como rir sem reforçar os estigmas que queremos combater?
Alguns criadores presentes no núcleo são: Augusto de Campos, Claudio Tozzi, Dolangue News (@dolangue.news), História no Paint (@historianopaint), Juju dos Teclados (@jujudosteclados), Marcelo Tas (@marcelotas), Pasquim, Paulo Gustavo, Porta dos Fundos (@portadosfundos), Regina Silveira, Saquinho de Lixo (@saquinhodelixo) e Sensacionalista (@sensacionalista).
Epílogo – Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?
Encerrando o percurso, o epílogo da exposição abraça a impossibilidade de definir os memes de maneira definitiva. Ao invés de uma resposta fixa, a curadoria propõe uma provocação coletiva: como cada pessoa compreende o que é um meme? O que eles significam hoje? O epílogo contou com a colaboração da equipe do #MUSEUdeMEMES, da Universidade Federal Fluminense, coordenada por Viktor Chagas, maior estudioso de memes no Brasil, e apresenta 10 entrevistas com criadores brasileiros, como Gregório Duvivier e Malfeitona, que respondem, em vídeo, essa indagação existencial com liberdade e afeto. Aqui, o meme é entendido como forma fluida, mutante e bastarda — que habita os interstícios da linguagem, circula entre mídias e revela, no improviso, a imaginação crítica do nosso tempo.
Clarissa Diniz é curadora, escritora e professora em arte com 20 anos de carreira. Professora da Escola de Belas Artes da UFRJ, foi uma das primeiras curadoras brasileiras a incluir memes em exposições. Realizou curadorias em importantes instituições, como o Museu de Arte do Rio, a Pinacoteca de São Paulo e o Museu de Artes de São Paulo – Masp. Ao longo de sua carreira, já realizou curadorias de exposições como: Contrapensamento selvagem (cocuradoria com Cayo Honorato, Orlando Maneschy e Paulo Herkenhoff. Instituto Itaú Cultural, São Paulo); O abrigo e o terreno (cocuradoria com Paulo Herkenhoff. Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, 2013); Ambiguações (Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2013); Todo mundo é, exceto quem não é – 13ª Bienal Naifs do Brasil (SESC Piracicaba, 2016, e Sesc Belenzinho, 2017); Dja Guata Porã – Rio de Janeiro Indígena (cocuradoria com Sandra Benites, Pablo Lafuente e José Ribamar Bessa, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, 2017); Rio do samba: resistência e reinvenção (cocuradoria com Evandro Salles, Marcelo Campos e Nei Lopes, Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro, 2018) e À Nordeste (cocuradoria com Bitu Cassundé e Marcelo Campos, Sesc 24 de Maio, São Paulo, 2019). Raio-que-o-parta: ficções do moderno no Brasil (cocuradoria com Raphael Fonseca, Fernanda Pitta, Aldrin Figueiredo, Marcelo Campos, Divino Sobral e Paula Ramos, Sesc 24 de Maio, 2022) e Histórias Brasileiras (cocuradoria com Adriano Pedrosa, Lilia Schwarcz, Sandra Benites, Isabella Rjeille, Amanda Carneiro, André Mesquita, Guilherme Guifrida, Glacea Britto, entre outros, Museu de Arte de São Paulo, São Paulo, 2022). Entre 2006 e 2015, foi editora da revista Tatuí, principal revista de crítica de arte brasileira, de viés experimental. Publicou inúmeros catálogos e livros.
Ismael Monticelli é artista multimídia. Sua pesquisa de doutorado, concluída em 2022, enfocou a relação entre arte, internet e redes sociais. Foi contemplado pelo programa Retomada Artes Visuais (2023), da Fundação Nacional de Artes – Funarte. Recebeu o 7º Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça (2019), o mais importante prêmio para artistas em atuação no Brasil. Também foi um dos três artistas selecionados para a Bolsa ProHelvetia de Residência para Artistas Sul-Americanos, realizada na La Becque Résidence d’Artistes, La Tour-de-Peilz, Suíça (2019). Realizou residência no Institute of Contemporary Arts de Singapura, desenvolvendo um trabalho com parte da coleção da instituição. Participou da 14ª e da 10ª Bienal do Mercosul (2025 e 2015). Entre 2022 e 2023, seu trabalho foi destacado pelo The Guardian, pela Apollo Magazine e pela Ocula Magazine, durante sua participação na exposição Horror in the Modernist Block (curadoria de Melanie Pocock, Ikon Gallery, Birmingham, Reino Unido). Realizou diversas exposições individuais, como O teatro do terror (Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, 2025; Museu Nacional da República, Brasília, 2024); O que sobrenada, sobrenada no caos (curadoria de Clarissa Diniz, Portas Vilaseca Galeria, Rio de Janeiro, 2022). Participou de diversas exposições coletivas no Brasil e em países como Reino Unido, Estados Unidos, Suíça e Singapura. Tem doutorado em Arte e Cultura Contemporânea – Arte, Imagem e Escrita (UERJ, 2022), mestrado em Artes Visuais – Processos de Criação e Poéticas do Cotidiano (UFPel, 2014) e bacharelado em Artes Visuais (UFRGS, 2010).
Colaboração | Perfil de Instagram New Memeseum
O @newmemeseum foi criado no final de julho de 2020 e conta com quase meio milhão de seguidores. Uma das principais motivações de sua criação foi o desejo de refletir, com humor e ironia, sobre os mecanismos adotados para sobreviver no/ao mundo da arte e, também, sobre os mecanismos que o mundo da arte nos impinge. O perfil realizou a ocupação virtual Combater ficção com ficção, no projeto ofício:web, do Sesc Pompeia, São Paulo, que ficou em cartaz de julho a agosto de 2021. Participou da terceira edição do programa Pivô Satélite, São Paulo, intitulada Sexo, mentiras e videotape, com curadoria de Raphael Fonseca e com a proposta Panorama Botijão da Arte Brasileira. Além disso, o trabalho do perfil já foi destacado pelos jornais Folha de São Paulo e O Globo.
Sobre o CCBB Brasília
O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) foi inaugurado em 12 de outubro de 2000. Sediado no Edifício Tancredo Neves, uma obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, tem o objetivo de reunir, em um só lugar, todas as formas de arte e criatividade possíveis.
Com projeto paisagístico assinado por Alda Rabello Cunha, dispõe de amplos espaços de convivência, galerias de artes, sala de cinema, teatro, praça central e jardins onde são realizadas exposições, shows musicais, espetáculos, exibições de filmes e performances.
Além disso, oferece o Programa Educativo CCBB Brasília, projeto contínuo de arte-educação que desenvolve ações educativas e culturais para aproximar o visitante da programação em cartaz, acolhendo o público espontâneo e, especialmente, estudantes de escolas públicas e particulares, universitários e instituições, por meio de visitas mediadas agendadas.
Em 2022, o CCBB Brasília se tornou o terceiro prédio do Banco do Brasil a receber a certificação ISO 14001, cuja renovação anual ratifica o compromisso da instituição com a gestão ambiental e a sustentabilidade.
Sobre a BB Asset
A BB Asset, maior gestora de fundos do país, administra cerca de R$ 1,7* trilhão em patrimônio líquido e é responsável pela gestão de mais de 1.200 fundos de investimento, atendendo milhões de pessoas que buscam realizar seus objetivos financeiros. A empresa é reconhecida pela excelência de sua gestão, com as maiores notas das agências de classificação de risco Fitch Ratings e Moody’s. Detém aproximadamente 17,5% de participação no mercado, consolidando sua liderança no setor. Seus produtos são distribuídos pela maior rede de atendimento bancário do país, o Banco do Brasil, e pelas principais plataformas de investimento.
A BB Asset acredita que seu papel vai além da gestão de ativos. Com soluções desenvolvidas para diferentes perfis e objetivos, a empresa assume a responsabilidade de contribuir para uma sociedade mais inclusiva, participativa e conectada com o que realmente importa, investindo em iniciativas que promovem desenvolvimento ambiental, social, de governança e cultural.
*Dados do ranking da ANBIMA de setembro de 2025
Acessibilidade
A ação Vem pro CCBB conta com uma van que leva o público, gratuitamente, para o CCBB Brasília, de quinta-feira a domingo. A iniciativa reforça o compromisso com a democratização do acesso e a experiência cultural dos visitantes. A van fica estacionada próxima ao ponto de ônibus da Biblioteca Nacional. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso no site, na bilheteria do CCBB ou ainda pelo QR Code da van. O ingresso garante o lugar na van, que está sujeita à lotação, mas a ausência de ingresso não impede sua utilização. Uma pesquisa de satisfação do usuário pode ser respondida pelo QR Code que consta no vídeo de divulgação exibido no interior do veículo.
Horário da van – De quinta-feira a domingo: Biblioteca Nacional – CCBB: 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h. | CCBB – Biblioteca Nacional: 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30.
MEME: no Br@sil da memeficação é uma produção da Patuá Produções, com patrocínio do Banco do Brasil e BB Asset. Depois da temporada de Brasília, a exposição será apresentada em Belo Horizonte (março a junho de 2026) e Rio de Janeiro (agosto a novembro de 2026).
Exposição |MEME: no Br@sil da memeficação
Curadoria| Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, com a colaboração do @newmemeseum
Visitação | De 2 de dezembro de 2025 a 1º de março de 2026
Terça a domingo, das 9h às 21h, com entrada na galeria até as 20h40
Acesso | Gratuito, mediante retirada de ingresso no site bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB Brasília
Classificação Indicativa | Livre
CCBB Brasília
Funcionamento: aberto de terça a domingo, das 9h às 21h
Endereço: SCES Trecho 2, Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Esportivos Sul – Brasília – DF
Fone: (61) 3108-7600
E-mail: ccbbdf@bb.com.br
Site: bb.com.br/cultura
Facebook/Instagram: @ccbbbrasilia
YouTube: bancodobrasil
TikTok: @ccbbcultura
Clipping de Mídia: https://www.desfrutecultural.com.br/ccbb-brasilia-apresenta-a-primeira-grande-exposicao-sobre-memes-com-mais-800-criacoes-de-200-produtores-de-conteudo-e-artistas/
Postado por Paula Pratini | 26 novembro 2025 | EXPOSIÇÃO |
MEME: no Br@sil da memeficação investiga os memes como forma de linguagem, crítica, afeto coletivo e produção estética. A mostra, que estreou em São Paulo e chega a Brasília em dezembro, explora expressões que surgem tanto nas ruas quanto nas redes sociais e que se reinventam no ambiente digital, revelando, de forma criativa, como o Brasil se narra e se transforma coletivamente.
No dia 2 de dezembro, o Centro Cultural Banco do Brasil Brasília abre ao público a primeira mostra dedicada ao fenômeno sociopolítico e cultural: MEME: no Br@sil da memeficação. Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli e colaboração do perfil @newmemeseum, a exposição convida o público a explorar a memeficação como um dos modos mais potentes — e irônicos — de narrar o Brasil contemporâneo.
Depois de estrear em São Paulo, a mostra chega a Brasília reunindo cultura digital, arte contemporânea e crítica social em uma experiência inédita no país. A exposição apresenta cerca de 800 itens produzidos por 200 criadores do universo digital e artistas. Em exibição até 1º de março de 2026, a mostra ocupa as galerias 3 e 5 e o Pavilhão de Vidro do CCBB Brasília. A visitação acontece de terça a domingo, das 9h às 21h, com entrada nas galerias até as 20h40. O acesso é gratuito, mediante retirada de ingresso na bilheteria ou pelo site do CCBB, e a classificação indicativa é livre.
“Memes não são só piadas. Eles são ferramentas políticas, culturais e afetivas. São a forma como o Brasil elabora, disputa e contorna suas diferenças — sociais, raciais, de gênero e estéticas — em tempo real”, afirma Clarissa Diniz. “A exposição parte do humor para provocar: como estamos refazendo o país através de suas imagens mais debochadas?”.
“É impossível compreender o Brasil de hoje sem entender seus memes”, diz Ismael Monticelli. “Eles não apenas refletem a realidade, mas atuam sobre ela: produzem memória, disputam narrativa, geram pertencimento. Enquanto fazemos memes, os memes refazem o Brasil.”
A proposta curatorial rompe fronteiras entre o que é visto como “alta” ou “baixa” cultura, reunindo nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, ao lado de criadores de conteúdo, como Blogueirinha, Porta dos Fundos, Alessandra Araújo, Melted Vídeos, John Drops e Greengo Dictionary.
Reforçando o compromisso da BB Asset de ir além da gestão de ativos e apoiar iniciativas que conectam cultura, inovação e diversidade, Gustavo Pacheco, CEO da BB Asset destaca: “Acreditamos que compreender o presente é essencial para construir o futuro. Apoiar uma exposição que investiga os memes como linguagem e expressão cultural é reconhecer a força das novas formas de comunicação na sociedade brasileira. Essa mostra revela como criatividade e crítica se encontram no ambiente digital, influenciando comportamentos e narrativas.”
O meme antes do meme
Organizada em cinco núcleos temáticos — Ao pé da letra, A hora dos amadores, Da versão à inversão, O eu proliferado, Combater ficção com ficção — e tendo como prólogo um espaço tátil intitulado Alisa meu pelo e epílogo Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam? —, a mostra conta com cenografia imersiva e uma ampla diversidade de linguagens: vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações sonoras e experiências interativas.
“A exposição não tem a ambição de ser um inventário do humor nacional, mas de investigar os memes como uma linguagem viva, que transborda a internet e afeta diretamente nossas formas de pensar, sentir e agir”, afirma Ismael Monticelli. “Eles são dispositivos de memória, de disputa e de pertencimento, que operam em altíssima velocidade e atravessam todas as camadas da vida social.”
“Queremos provocar o público a pensar: será que essa vocação memética do Brasil começou mesmo com os memes digitais?”, questiona Clarissa Diniz. “Ou será que ela já se anunciava no carnaval, nos bordões da TV, nas pichações e nos outdoors? O que acontece quando política, publicidade e arte se dobram aos formatos da zoeira?”
Além da ocupação física no CCBB, o projeto se estende ao ambiente digital com uma série de ativações especialmente desenvolvidas para as redes sociais. Em parceria com o perfil de memes @newmemeseum, curadorias de conteúdos exclusivos serão compartilhados on-line, ampliando o alcance da exposição e promovendo engajamento, acesso e debate com públicos diversos — muito além das paredes do museu.
Vista do núcleo O eu proliferado, que investiga a ascensão do “eu” como espetáculo nas redes, onde a vida privada se converte em performance contínua. Ao mesmo tempo em que essa visibilidade pode afirmar identidades e narrativas antes marginalizadas, ela expõe os efeitos da hiperexposição e da lógica neoliberal, que transforma autoestima em mercadoria e fragiliza o bem-estar emocional. Foto de Edson Kumasaka.
Percurso da mostra
Prólogo – Alisa meu pelo
O meme Alisa meu pelo, surgido em 2017 a partir da onça-pintada da nota de R$ 50 acompanhada da legenda “Alisa meu pelo (onça carente)”, viralizou ao ressignificar a onça não como ícone de virilidade, mas como símbolo afetivo, carente e próximo. Ao se difundir, o meme passou a comentar o próprio Brasil de forma leve e zombeteira, ativando uma produção simbólica popular e participativa. Na exposição, onças em diferentes materiais convidam o público ao toque e à interação, ampliando esse gesto coletivo de humor e reflexão. Participaram da criação das onças os artistas José Francisco Afrânio, Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann.
1. Ao pé da letra
No primeiro núcleo da exposição, o foco recai sobre os jogos semânticos e os descompassos entre texto e imagem que tornam os memes tão eficazes em gerar riso, crítica e estranhamento. Em vez de explicarem um ao outro, palavras e figuras se combinam para formar sentidos inesperados — ou se colam literalmente, desnaturalizando expressões e convenções sociais. Aborda práticas como o uso de emojis, narrações e dublagens cômicas, além de línguas digitais, como o tiopês e o pajubá, e estruturas como o snowclone, revelando como essas invenções linguísticas produzem deslocamentos de sentido e potência crítica.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Amanda Magalhães (@amandzmagalhaes), Daniel Santiago, Frimes (@frimes), Greengo Dictionary (@greengodictionary), Guto TV (@gutotvreal), Leandra Espírito Santo, Melted Vídeos (@meltedvideos), Nelson Leirner, Pamella Anderson, Panos Subversivos (@panossubversivos), Rafael Portugal (@rafaelportugal), Raquel Real (@raquelrealoficial), Roxinha e Ruth Lemos.
2. A hora dos amadores
Inspirado pela célebre capa da revista Time de 2006 — que elegeu “você” como a personalidade do ano —, este núcleo aborda a virada provocada pela internet e pelas redes sociais, que deram visibilidade inédita às “pessoas comuns”. Os memes, nesse contexto, aparecem como uma tecnologia social de protagonismo, permitindo que vozes antes apagadas ou silenciadas ocupem o centro da cena cultural. Em países como o Brasil, marcados por fortes desigualdades, os memes se tornaram um território fértil para narrativas insurgentes: do humor que revela a precariedade cotidiana à crítica social feita com poucos recursos e muita sagacidade. Este núcleo celebra essa potência do amadorismo como desvio criativo e força política.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Alessandra Araújo (@alessandraraujooficial), Valdisnei (Lourival Cuquinha e Daniela Brilhante), Malfeitona (@malfeitona), O Brasil que deu certo (@obrasilquedeucerto) e Raphael Vicente (@raphaelvicente).
3. Da versão à inversão
Se a imitação é uma das bases da linguagem memética, aqui ela é entendida como gesto crítico e criativo. Este núcleo mostra como memes transformam cópias em versões que subvertem e desmontam o original, produzindo humor, paródia e comentário social.
A exposição apresenta desde pequenas alterações — como trocar uma palavra ou fazer um recorte específico de imagem — até inversões radicais: mulheres imitando homens, humanos dublando animais e estéticas que embaralham as fronteiras entre identidade e representação. Como no carnaval, o riso vem da inversão — e, nela, uma crítica se insinua.
Alguns criadores presentes no núcleo são: A vida de Tina (@avidadetina), Alexandre Mury, Festa da Firma (@festadafirma), John Drops (@johndrops), Juvi Chagas (@ajuvichagas), Lara Santana (@larasantana), Malhassaum (@malhassaum), Porta dos Fundos (@portadosfundos), Renata Felinto e Victor Arruda.
4. O eu proliferado
Neste núcleo, a curadoria volta-se à explosão do “eu” nas redes sociais e à forma como a vida privada se tornou espetáculo. A internet deixou de ser apenas um espaço de compartilhamento para se tornar um palco de autoperformance. A construção de si — por meio de selfies, dancinhas, relatos, confissões e personagens — tornou-se prática cotidiana, revelando tanto o desejo de existir publicamente quanto os efeitos dessa hiperexposição.
O núcleo aborda a dramaturgia do “eu” como potência e armadilha. Se, por um lado, possibilita a afirmação de identidades historicamente apagadas, por outro, evidencia o impacto subjetivo da lógica neoliberal que transforma autoestima em mercadoria e precariza o bem-estar mental.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Blogueirinha (@blogueirinha), Coach de Fracassos (@coachdefracassos), Frases Pra Você (@frasespravoce), Galinhas Inseguras (@galinhasinseguras), Gretta Sarfaty, Jacira Doce (@jaciradoce), Lenora de Barros, Nathalia Cruz (@nathaliapontocruz), Panmela Castro, Pedro Vinicio (@pedrovinicio80), Regina Vater, Telma Saraiva, Valentina Bandeira (@valentinabandeira) e Valeska Soares.
5. Combater ficção com ficção
A polarização política e a radicalização do discurso público são temas centrais deste núcleo, que examina o papel dos memes na disputa simbólica do presente. Ao mesmo tempo em que são ferramentas de enfrentamento, síntese e resistência, os memes podem também ser veículos de desinformação, exclusão e violência simbólica. A curadoria propõe aqui uma reflexão sobre os usos éticos do riso, compreendendo o humor como forma sofisticada de diplomacia, mas também como instrumento perigoso nas mãos do autoritarismo. Entre memecracia e memecrítica, este núcleo convida a pensar: como rir sem reforçar os estigmas que queremos combater?
Alguns criadores presentes no núcleo são: Augusto de Campos, Claudio Tozzi, Dolangue News (@dolangue.news), História no Paint (@historianopaint), Juju dos Teclados (@jujudosteclados), Marcelo Tas (@marcelotas), Pasquim, Paulo Gustavo, Porta dos Fundos (@portadosfundos), Regina Silveira, Saquinho de Lixo (@saquinhodelixo) e Sensacionalista (@sensacionalista).
Epílogo – Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?
Encerrando o percurso, o epílogo da exposição abraça a impossibilidade de definir os memes de maneira definitiva. Ao invés de uma resposta fixa, a curadoria propõe uma provocação coletiva: como cada pessoa compreende o que é um meme? O que eles significam hoje? O epílogo contou com a colaboração da equipe do #MUSEUdeMEMES, da Universidade Federal Fluminense, coordenada por Viktor Chagas, maior estudioso de memes no Brasil, e apresenta 10 entrevistas com criadores brasileiros, como Gregório Duvivier e Malfeitona, que respondem, em vídeo, essa indagação existencial com liberdade e afeto. Aqui, o meme é entendido como forma fluida, mutante e bastarda — que habita os interstícios da linguagem, circula entre mídias e revela, no improviso, a imaginação crítica do nosso tempo.
Serviço:
Exposição |MEME: no Br@sil da memeficação
Curadoria| Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, com a colaboração do @newmemeseum
Visitação | De 2 de dezembro de 2025 a 1º de março de 2026
Terça a domingo, das 9h às 21h, com entrada na galeria até as 20h40
Acesso | Gratuito, mediante retirada de ingresso no site bb.com.br/cultura e na bilheteria física do CCBB Brasília
Classificação Indicativa | Livre
CCBB Brasília
Funcionamento: aberto de terça a domingo, das 9h às 21h
Endereço: SCES Trecho 2, Lote 22 – Edif. Presidente Tancredo Neves – Setor de Clubes Esportivos Sul – Brasília – DF
Fone: (61) 3108-7600
E-mail: ccbbdf@bb.com.br
Site: bb.com.br/cultura
Facebook/Instagram: @ccbbbrasilia
YouTube: bancodobrasil
TikTok: @ccbbcultura
Curadoria:
Clarissa Diniz e Ismael Monticelli
Coletiva
CCBB BH (Centro Cultural Banco do Brasil - Belo Horizonte)
28/03 a 22/06/2026
A mostra segue em itinerância para o Rio de Janeiro - CCBB RJ
Abertura - 14/07/2026
Temporada -15/07 a 12/10/2026
Artistas Participantes
Artistas e Criadores Participantes
Núcleo Ao pé da letra
Amanda Magalhães (@amandzmagalhaes)
Daniel Santiago
Frimes (@frimes)
Greengo Dictionary (@greengodictionary)
Guto TV (@gutotvreal)
Leandra Espírito Santo
Melted Vídeos (@meltedvideos)
Nelson Leirner
Pamella Anderson
Panos Subversivos (@panossubversivos)
Rafael Portugal (@rafaelportugal)
Raquel Real (@raquelrealoficial)
Roxinha
Ruth Lemos
Núcleo A hora dos amadores
Alessandra Araújo (@alessandraraujooficial)
Vadisnei (Lourival Cuquinha e Daniela Brilhante)
Malfeitona (@malfeitona)
O Brasil que deu certo (@obrasilquedeucerto)
Felipe Neto (@felipeneto)
Raphael Vicente (@raphaelvicente)
Núcleo Da versão à inversão
A vida de Tina (@avidadetina)
Denilson Baniwa
Alexandre Mury
John Drops (@johndrops)
Hand-painted Brazil (@handpaintedbrazil)
Festa da Firma (@festadafirma)
Juvi Chagas (@ajuvichagas)
Lara Santana (@larasantana)
Malhassaum (@malhassaum)
Porta dos Fundos (@portadosfundos)
Renata Felinto
Rafaela Azevedo (Fran – @fran.wt1)
Victor Arruda
Núcleo O eu proliferado
Blogueirinha (@blogueirinha)
Coach de Fracassos (@coachdefracassos)
Frases Pra Você (@frasespravoce)
Galinhas Inseguras (@galinhasinseguras)
Gretta Sarfaty
Jacira Doce (@jaciradoce)
Fábio Cruz (Fabão – @eusoufabao)
Lenora de Barros
Nathalia Cruz (@nathaliapontocruz)
Panmela Castro
Pedro Vinicio (@pedrovinicio80)
Regina Vater
Telma Saraiva
Monica Piloni
Valentina Bandeira (@valentinabandeira)
Valeska Soares
Núcleo Combater ficção com ficção
Augusto de Campos
Claudio Tozzi
Dolangue News (@dolangue.news)
Dora Longo Bahia
História no Paint (@historianopaint)
Juju dos Teclados (@jujudosteclados)
Marcelo Tas (@marcelotas)
Paulo Gustavo
O Pasquim
Porta dos Fundos (@portadosfundos)
Regina Silveira
Saquinho de Lixo (@saquinhodelixo)
Sensacionalista (@jornaldosensacionalista)
Núcleo Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?
Museu de Memes (UFF, coord. Viktor Chagas)
Criadores brasileiros entrevistados (10 nomes, mas não foram listados individualmente na matéria).
> Nomes consagrados de arte contemporânea destacados na exposição (fora da divisão por núcleos)
Anna Maria Maiolino
Gretta Sarfaty (também aparece no núcleo O eu proliferado)
Nelson Leirner (também aparece no núcleo Ao pé da letra)
Claudio Tozzi (também aparece no núcleo Combater ficção com ficção)
Ou seja, a exposição cria um híbrido entre artistas históricos do circuito da arte contemporânea e criadores da cultura digital e do humor popular, reforçando o diálogo entre “alta cultura” e “linguagens meméticas”
TRIBUNA DO SERTÃO - VARIEDADES
Assessoria (11/03/2026)
Reunindo mais de 800 criações de 200 produtores de conteúdo e artistas, a mostra investiga os memes como forma de linguagem, crítica, afeto coletivo e produção estética. De virais históricos como o "Sanduíche-íche" à profusão das carretas e trenzinhos da alegria, a exposição mergulha na cultura digital brasileira e na potência do humor.
A exposição chega à capital mineira depois de temporadas de sucesso em São Paulo e Brasília.
Belo Horizonte, março de 2026 – O Brasil é um dos maiores produtores e consumidores de memes do mundo, e agora também será o primeiro país a receber uma grande exposição dedicada a esse fenômeno. Com estreia marcada para 28 de março de 2026 no Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH), a mostra "MEME: no Br@sil da memeficação", que poderá ser conferida até 22 de junho, reúne cultura digital, arte contemporânea e crítica social, ao apresentar cerca de 800 itens produzidos por 200 criadores do universo digital e artistas. Depois de BH, a exposição segue para o Rio de Janeiro até novembro de 2026.
Com curadoria de Clarissa Diniz e Ismael Monticelli, e colaboração do perfil de Instagram @newmemeseum, a mostra convida o público a explorar a memeficação como um dos modos mais potentes – e irônicos – de narrar o Brasil contemporâneo.
“Memes não são só piadas. Eles são ferramentas políticas, culturais e afetivas. São como o Brasil elabora, disputa e contorna suas diferenças – sociais, raciais, de gênero, estéticas – em tempo real”, afirma Clarissa Diniz. “A exposição parte do humor para provocar: como estamos refazendo o país através de suas imagens mais debochadas?”
“É impossível compreender o Brasil de hoje sem entender seus memes”, diz Ismael Monticelli. “Eles não apenas refletem a realidade, mas atuam sobre ela: produzem memória, disputam narrativa, geram pertencimento. Enquanto fazemos memes, os memes refazem o Brasil”.
A proposta curatorial rompe fronteiras entre o que é visto como "alta" e "baixa" cultura, reunindo nomes consagrados da arte contemporânea brasileira, como Anna Maria Maiolino, Gretta Sarfaty, Nelson Leirner e Claudio Tozzi, ao lado de criadores de conteúdo como Blogueirinha, Porta dos Fundos, Alessandra Araújo, Melted Vídeos, John Drops e Greengo Dictionary.
Organizada em cinco núcleos temáticos – Ao pé da letra, A hora dos amadores, Da versão à inversão, O eu proliferado e Combater ficção com ficção – tendo como prólogo um espaço tátil intitulado Alisa meu pelo e epílogo Memes: o que são? Onde vivem? Do que se alimentam?, a mostra ocupa o pátio e o 3º andar do CCBB BH e possui cenografia imersiva e uma ampla diversidade de linguagens: vídeos, neons, esculturas, roupas, quadrinhos, pinturas, objetos, backlights, instalações sonoras e experiências interativas.
“A exposição não tem a ambição de ser um inventário do humor nacional, mas investigar os memes como uma linguagem viva, que transborda a internet e afeta diretamente nossas formas de pensar, sentir e agir”, afirma Ismael Monticelli. “Eles são dispositivos de memória, de disputa e de pertencimento, que operam em altíssima velocidade e atravessam todas as camadas da vida social”.
“Queremos provocar o público a pensar: será que essa vocação memética do Brasil começou mesmo com os memes digitais?”, questiona Clarissa Diniz. “Ou será que ela já se anunciava no carnaval, nos bordões da TV, nas pichações e nos outdoors? O que acontece quando política, publicidade e arte se dobram aos formatos da zoeira?”
Ao receber este projeto, o Centro Cultural Banco do Brasil reafirma seu papel como um espaço vivo de diálogo com as linguagens contemporâneas, valorizando a potência crítica, afetiva e estética que surge tanto das redes quanto das ruas. A mostra também reforça o compromisso do CCBB com a valorização da cultura brasileira em toda a sua diversidade, incluindo as expressões que nascem, se desenvolvem e se reinventam no ambiente digital.
O meme "Alisa meu pelo", surgido em 2017 a partir da onça-pintada da nota de R$50, acompanhada da legenda "alisa meu pelo (onça carente)", viralizou ao ressignificar a onça não como ícone de virilidade, mas como símbolo afetivo, carente e próximo. Ao se difundir, o meme passou a comentar o próprio Brasil de forma leve e zombeteira, ativando uma produção simbólica popular e participativa. Na exposição, onças em diferentes materiais convidam o público ao toque e à interação, ampliando esse gesto coletivo de humor e reflexão. Participaram da criação das onças os artistas José Francisco Afrânio, Jorge Gomes e Vinicius Vaitsmann.
No primeiro núcleo da exposição, o foco recai sobre os jogos semânticos e os descompassos entre texto e imagem que tornam os memes tão eficazes em gerar riso, crítica e estranhamento. Em vez de explicarem um ao outro, palavras e figuras se combinam para formar sentidos inesperados – ou se colam literalmente, desnaturalizando expressões e convenções sociais. Abordando práticas como o uso de emojis, narrações e dublagens cômicas, além de línguas digitais como o tiopês, o pajubá e estruturas como o snowclone, o núcleo revela como essas invenções linguísticas produzem deslocamentos de sentido e potência crítica.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Amanda Magalhães (@amandzmagalhaes), Daniel Santiago, Frimes (@frimes), Greengo Dictionary (@greengodictionary), Guto TV (@gutotvreal), Leandra Espírito Santo, Melted Vídeos (@meltedvideos), Nelson Leirner, Pamella Anderson, Panos Subversivos (@panossubversivos), Rafael Portugal (@rafaelportugal), Raquel Real (@raquelrealoficial), Roxinha e Ruth Lemos.
Inspirado pela célebre capa da revista Time de 2006, que elegeu "você" como a personalidade do ano, este núcleo aborda a virada provocada pela internet e pelas redes sociais, que deram visibilidade inédita às "pessoas comuns". Os memes, nesse contexto, aparecem como uma tecnologia social de protagonismo, permitindo que vozes antes apagadas ou silenciadas ocupem o centro da cena cultural. Em países como o Brasil, marcados por fortes desigualdades, os memes se tornaram um território fértil para narrativas insurgentes: do humor que revela a precariedade cotidiana à crítica social feita com poucos recursos e muita sagacidade. Este núcleo celebra essa potência do amadorismo como desvio criativo e força política.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Alessandra Araújo (@alessandraraujooficial), Valdisnei (Lourival Cuquinha e Daniela Brilhante), Malfeitona (@malfeitona), O Brasil Que Deu Certo (@obrasilquedeucerto) e Raphael Vicente (@raphaelvicente).
Se a imitação é uma das bases da linguagem memética, aqui ela é entendida como gesto crítico e criativo. Este núcleo mostra como memes transformam cópias em versões que subvertem e desmontam o original, produzindo humor, paródia e comentário social. A exposição apresenta desde pequenas alterações – como trocar uma palavra ou fazer um recorte específico de imagem – até inversões radicais: mulheres imitando homens, humanos dublando animais, estéticas que embaralham as fronteiras entre identidade e representação. Como no carnaval, o riso vem da inversão – e nela, uma crítica se insinua.
Alguns criadores presentes no núcleo são: A Vida de Tina (@avidadetina), Alexandre Mury (@alexandremury), Festa da Firma (@festadafirma), John Drops (@johndrops), Juvi Chagas (@ajuvichagas), Lara Santana (@larasantana), Malhassaum (@malhassaum), Porta dos Fundos (@portadosfundos), Renata Felinto e Victor Arruda.
Neste núcleo, a curadoria volta-se à explosão do "eu" nas redes sociais e à forma como a vida privada se tornou espetáculo. A internet deixou de ser apenas um espaço de compartilhamento para se tornar um palco de autoperformance. A construção de si – por meio de selfies, dancinhas, relatos, confissões e personagens – tornou-se prática cotidiana, revelando tanto o desejo de existir publicamente quanto os efeitos dessa hiperexposição. O núcleo aborda a dramaturgia do "eu" como potência e armadilha. Se, por um lado, possibilita a afirmação de identidades historicamente apagadas, por outro, evidencia o impacto subjetivo da lógica neoliberal, que transforma autoestima em mercadoria e precariza o bem-estar mental.
Alguns criadores presentes no núcleo são: Blogueirinha (@blogueirinha), Coach de Fracassos (@coachdefracassos), Frases Pra Você (@frasespravoce), Galinhas Inseguras (@galinhasinseguras), Gretta Sarfaty, Jacira Doce (@jaciradoce), Lenora de Barros, Nathalia Cruz (@nathaliapontocruz), Panmela Castro, Pedro Vinicio (@pedrovinicio80), Regina Vater, Telma Saraiva, Valentina Bandeira (@valentinabandeira) e Valeska Soares.
A polarização política e a radicalização do discurso público são temas centrais deste núcleo, que examina o papel dos memes na disputa simbólica do presente. Ao mesmo tempo em que são ferramentas de enfrentamento, síntese e resistência, os memes podem também ser veículos de desinformação, exclusão e violência simbólica. A curadoria propõe aqui uma reflexão sobre os usos éticos do riso, compreendendo o humor como forma sofisticada de diplomacia, mas também como instrumento perigoso nas mãos do autoritarismo. Entre memecracia e memecrítica, este núcleo convida a pensar: como rir sem reforçar os estigmas que queremos combater?
Alguns criadores presentes no núcleo são: Augusto de Campos, Claudio Tozzi, Dolangue News (@dolangue.news), História no Paint (@historianopaint), Juju dos Teclados (@jujudosteclados), Marcelo Tas (@marcelotas), O Pasquim, Paulo Gustavo, Porta dos Fundos (@portadosfundos), Regina Silveira, Saquinho de Lixo (@saquinhodelixo) e Sensacionalista (@sensacionalista).
Encerrando o percurso, o epílogo da exposição abraça a impossibilidade de definir os memes de maneira definitiva. Ao invés de uma resposta fixa, a curadoria propõe uma provocação coletiva: como cada pessoa compreende o que é um meme? O que eles significam hoje? O epílogo contou com a colaboração da equipe do #MUSEUdeMEMES da Universidade Federal Fluminense, coordenada por Viktor Chagas, maior estudioso de memes no Brasil, e apresenta 10 entrevistas com criadores brasileiros, como Gregório Duvivier e Malfeitona, que responderam, em vídeo, essa indagação existencial com liberdade e afeto. Aqui, o meme é entendido como forma fluida, mutante e bastarda – que habita os interstícios da linguagem, circula entre mídias e revela, no improviso, a imaginação crítica do nosso tempo.
"MEME: no Br@sil da memeficação" é uma produção da Patuá Produções, com patrocínio do Banco do Brasil e da BB Asset. Depois de Belo Horizonte, a exposição será apresentada no Rio de Janeiro (agosto a novembro de 2026) .
É curadora, escritora e professora em arte com 20 anos de carreira. Professora da Escola de Belas Artes da UFRJ. Foi uma das primeiras curadoras brasileiras a incluir memes em exposições. Realizou curadorias em importantes instituições como no Museu de Arte do Rio, na Pinacoteca de São Paulo e no Museu de Artes de São Paulo – MASP. Ao longo de sua carreira, já realizou curadorias de exposições como: Contrapensamento selvagem (cocuradoria com Cayo Honorato, Orlando Maneschy e Paulo Herkenhoff. Instituto Itaú Cultural, SP); O abrigo e o terreno (cocuradoria com Paulo Herkenhoff. Museu de Arte do Rio – MAR, 2013); Ambiguações (Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, 2013); Todo mundo é, exceto quem não é – 13ª Bienal Naifs do Brasil (SESC Piracicaba, 2016 e Sesc Belezinho, 2017); Dja Guata Porã – Rio de Janeiro Indígena (cocuradoria com Sandra Benites, Pablo Lafuente e José Ribamar Bessa. MAR, 2017); Rio do samba: resistência e reinvenção (cocuradoria com Evandro Salles, Marcelo Campos e Nei Lopes. MAR, 2018); À Nordeste (cocuradoria com Bitu Cassundé e Marcelo Campos. Sesc 24 de Maio, São Paulo, 2019); Raio-que-o-parta: ficções do moderno no Brasil (cocuradoria com Raphael Fonseca, Fernanda Pitta, Aldrin Figueiredo, Marcelo Campos, Divino Sobral e Paula Ramos. Sesc 24 de Maio, 2022) e Histórias Brasileiras (cocuradoria com Adriano Pedrosa, Lilia Schwarcz, Sandra Benites, Isabella Rjeille, Amanda Carneiro, André Mesquita, Guilherme Guifrida, Glacea Britto, dentre outros, MASP, 2022). Entre 2006 e 2015, foi editora da revista Tatuí, principal revista de crítica de arte brasileira, de viés experimental. Publicou inúmeros catálogos e livros.
É artista multimídia. Sua pesquisa de doutorado, concluída em 2022, enfocou a relação entre arte, internet e redes sociais. Foi contemplado pelo programa Retomada Artes Visuais (2023) da Fundação Nacional de Artes – Funarte. Recebeu o 7º Prêmio Indústria Nacional Marcantonio Vilaça (2019) , o mais importante prêmio para artistas em atuação no Brasil. Também foi um dos três artistas selecionados para a Bolsa ProHelvetia de Residência para Artistas Sul-Americanos, realizada na La Becque Résidence d'Artistes, La Tour-de-Peilz, Suíça (2019). Realizou residência no Institute of Contemporary Arts de Singapura, desenvolvendo um trabalho com parte da coleção da instituição. Participou da 14ª e da 10ª Bienal do Mercosul (2025 e 2015). Entre 2022 e 2023, seu trabalho foi destacado pelo The Guardian, pela Apollo Magazine e pela Ocula Magazine, durante sua participação na exposição Horror in the Modernist Block (curadoria de Melanie Pocock, Ikon Gallery, Birmingham, Reino Unido). Realizou diversas exposições individuais, como O Teatro do Terror (Casa França-Brasil, Rio de Janeiro, 2025; Museu Nacional da República, Brasília, 2024); e O que sobrenada, sobrenada no caos (curadoria de Clarissa Diniz, Portas Vilaseca Galeria, Rio de Janeiro, 2022). Participou de diversas exposições coletivas no Brasil e em países como Reino Unido, Estados Unidos, Suíça e Singapura. Possui Doutorado em Arte e Cultura Contemporânea – Arte, Imagem e Escrita (UERJ, 2022), Mestrado em Artes Visuais – Processos de Criação e Poéticas do Cotidiano (UFPel, 2014) e Bacharelado em Artes Visuais (UFRGS, 2010).
O @newmemeseum foi criado no final de julho de 2020 e conta com quase meio milhão de seguidores. Uma das principais motivações de sua criação foi o desejo de refletir, com humor e ironia, sobre os mecanismos adotados para sobreviver no/ao mundo da arte e, também, sobre os mecanismos que o mundo da arte nos impinge. O perfil realizou a ocupação virtual Combater ficção com ficção no projeto ofício:web do Sesc Pompéia, São Paulo, que ficou em cartaz de julho a agosto de 2021. Participou da terceira edição do programa Pivô Satélite, São Paulo, intitulada Sexo, Mentiras e Videotape, com curadoria de Raphael Fonseca, com a proposta Panorama Botijão da Arte Brasileira. Além disso, o trabalho do perfil já foi destacado pelos Jornais Folha de São Paulo e O Globo.
O CCBB BH é integrante do Circuito Liberdade, complexo cultural sob gestão da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult), que reúne diversos espaços com as mais variadas formas de manifestação de arte e cultura em transversalidade com o turismo. Trabalhando em rede, as atividades dos equipamentos parceiros ao Circuito buscam desenvolvimento humano, cultural, turístico, social e econômico, com foco na economia criativa como mecanismo de geração de emprego e renda, além da democratização e ampliação do acesso da população às atividades propostas.
Exposição: "MEME: no Br@sil da memeficação"
Período: 28 de março a 22 de junho de 2026
Horário: De quarta a segunda, das 10h às 22h
Local: Pátio e Galerias do 3º Andar – Centro Cultural Banco do Brasil Belo Horizonte (CCBB BH)
Endereço: Praça da Liberdade, 450 – Funcionários, Belo Horizonte – MG
Ingressos: Gratuitos, disponíveis no site ccbb.com.br/bh e na bilheteria do CCBB BH
Classificação indicativa: Livre
Fonte: Tribuna do Sertão - 14/03/2026